A ERA DOS ZEBRÓIDES

 

A ERA DOS ZEBRÓIDES

 

Nelson Marzullo Tangerini

 

               A troca de ministros sinistro já é uma coisa corriqueira no atual governo: seja na pasta da Saúde, na do Meio Ambiente ou na da Educação. Não precisa o político ser versado em medicina, em biologia ou em pedagogia. Basta ser nazifascista      ou confundir ser afinado com os ideais autoritário do presidente.     

               Um confundiu o escritor  Kafka com kafta (comida árabe),outro montou seu gabinete à moda de Goebels, ministro de Propaganda de Hitler), enquanto outro é acusado de  liberar queimadas, invasão de terras indígenas, desmatamento e venda ilegal de madeira.

               Em 1947, em pleno governo do Marechal Eurico Gaspar Dutra, o poeta Nestor Tangerini, escreveu o soneto “A um zebróide”, atualíssimo, publicado, posteriormente, no livro Humoradas, Editora Autografia, Rio de Janeiro, RJ, 2016.

 

“A UM ZEBRÓIDE

 

(No dia de sua partida)

 

Medíocre bacharel, aqui chegado

para dizer e praticar asneiras,

eis que ao governo deixas sossegado,

livre das tuas tuas magistrais besteiras.

 

Que bons ventos te levem, desastrado

ministro de bobagens, e, ligeiras,

mil rajadas te joguem para lado

bem distante das terras brasileiras¹...

 

vai-te, zebroide, e vai-te àquela parte!

E, onde fiques, procura ‘in continenti’,

o que te apraz e não souberam dar-te.

 

Pois aqui, por um erro, grande, vasto,

uma ‘pasta’ te deram de presente,

quando te deviam dar um ‘pasto’...”

 

               Como vemos, nada mudou neste país, desgovernado por um louco, que, no seu cercadinho, ou pasto, é seguido por seu gado festivo.

               Nos anos 1900, compus, de parceria com meu amigo Orlandílson Viana de Souza, a canção “Líderes”, na qual fazemos um breve comentário sobre a mudança de atitude dos políticos após serem eleitos:

 

“Nossos líderes

já não são mais os mesmos,

e as aparências enganam.

Quem vai lutar por nós,

falar a nossa voz,

quem vai

reacender a nossa chama?

 

Líderes falhos,

partidos partidos;

homens sisudos

se vestem de deus. 

Na escuridão mostram

risos fingidos,

mas nossas mãos acenam: adeus!” (*)

 

               Ingenuidade nossa não ver que os políticos sempre agiram dessa forma e que jamais lutarão por nós.  A autogestão, ainda hoje, no século 21, parece o melhor caminho a ser escolhido para mudar o mundo. O sonho acabou para aqueles que ainda acreditam em mitos na política. Quem atropela direitos humanos e promove o negacionismo deve ser varrido da História. Que a luta contra o fascismo seja pra ontem.

               John Lennon estava certo quando disse que só o povo sabia falar com o povo, pois somos nós que devemos lutar pelos nossos direitos.

 

(*) Líderes: música e letra de Orlandílson Vianna de Souza & Nelson Marzullo Tangerini.

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