A TERRA
A TERRA É UM
GRANDE ABACAXI
Nelson
Marzullo Tangerini
Baseado nas
teorias Anaximandro de Mileto, um dos grandes filósofos pré-socráticos da
Grécia Antiga, e do sábio Ptolomeu, Kláudios Ptolomaios, um cientista grego, que viveu em Alexandria, cidade grega do atual
Egito, África, o poeta Nestor Tangerini, estudioso, também, de Filosofia,
seguindo o estilo parnasiano, voltado para o culto da mitologia greco-latina,
para a Era Clássica, portanto, escreve o soneto decassílabo A Terra, com rimas A-B-A-B, A-B-A-B, A-B-C, A-B-C,
publicado na revista carioca Vida Nova,
Rio de Janeiro, DF, no Natal de 1943, e, posteriormente, no livro
“Humoradas..., Sonetos satíricos”, Editora Autografia, Rio de Janeiro, RJ,
2016.
A TERRA
Alguém, nas
priscas eras, figurou
a Terra qual
se fora uma fritada;
a um queijo
Anaximandro a comparou,
sendo a face
inferior desabitada.
O velho povo
hindu a imaginou
a tampa, em
concha, de formosa empada;
e o sábio
Tolomeu a consagrou
formidável
tomate de salada.
Depois, como
Apiano a concebera,
viu Colombo
que a Terra era uma pêra.
Mas – que é
laranja – dizem por aí.
Eu, porém,
abafado em meus problemas,
nos quais
aplico todos os sistemas,
acho que a Terra
é um grande abacaxi!
A finalização do soneto de Nestor
Tangerini, considerado pelo escritor e poeta gaúcho Paulo Monteiro, membro da
Academia Passofundense de Letras, como um neoparnasiano, resistência parnasiana
ao Modernismo, foge, desde o início, dos padrões vigentes pelo estilo anterior,
buscando, assim, através da sátira, uma saída bem humorada para a situação em
que vivia o poeta, e todos os seus pares, no início dos anos 1940, quando
características modernizantes, propostas pela Arte Moderna de 1922, liderada
por Mário de Andrade e Oswald de Andrade, já se encontravam enraizadas na
literatura brasileira.
Sobre a presença de citações
clássicas citadas com humor no seu texto, é importante revermos algumas:
Anaximandro de Mileto, citado no
soneto, que segue a forma clássica
[Medida Nova] ou parnasiana, foi um dos
grandes filósofos pré-socráticos da Grécia Antiga. Era discípulo do “Pai da
Filosofia”, Tales de Mileto. O sábio procurou
resolver os problemas filosóficos levantados por seu mestre. E, assim,
desenvolveu diversos estudos sobre a natureza, a filosofia, a política, a
matemática, a astronomia e geografia.
Nascido na cidade de Mileto,
atual Turquia, em 610 a.C., onde
faleceu, por volta de 547 a. C., Anaximandro desenvolveu seus estudos na famosa
Escola de Mileto (ou Escola Jônica), fundada por Tales de Mileto, seu mestre.
Essa fase da filosofia grega,
como sabemos, é chamada de pré-socrática, uma vez que engloba os filósofos que
viveram antes de Sócrates.
A referida Escola desenvolveu temas centrados na natureza, e
seus principais filósofos foram Tales de Mileto, Anaximandro, que foi também político,
além de professor, e Anaxímenes. A
grande questão filosófica por eles levantada e estudada girava em torno da origem e da formação do
universo.
Quanto a Ptolomeu, 90-168, o sábio grego foi reconhecido pelos
seus trabalhos em matemática, geografia e cartografia, além de trabalhos
importantes em óptica e teoria musical.
O sábio de Alexandria é o autor
do livro Almagesto, um tratado matemático e astronômico, escrito no século II e
que foi traduzido para o latim e o árabe.
Sobre Apiano, d. C., - 165 d.c, também citado no soneto, foi um historiador de
origem grega que viveu na Roma antiga e desemprenhou diversos cargos administrativos
em Alexandria, indo, depois, para a Cidade Eterna, onde trabalhou como
advogado. Em 147, obteve o cargo de procurador, provavelmente, na província
romana do Egito, depois de nomeação do
imperador Atônio Pio, através do qual teve acesso à documentação imperial
romana.
A filosofia, como vemos, pode ser muito
importante para nós, justamente neste momento em que vivemos em quarentena,
para podermos pensar desapaixonadamente,
com base científica, sobre a existência no Planeta Planeta. É da dúvida que
nasce a grande descoberta, que, mais tarde, cairá em desuso, diante de novas
dúvidas e novas descobertas. Assim é a ciência, assim é a filosofia, nesta luta
constante pelo conhecimento.
Mas o riso é necessário para a
oxigenação cerebral de todo ser humano. Daí
nasce o livro O nome da rosa, de Umberto Ecco, sobre um possível livro do
filósofo Aritóteles que sustenta a tese do prazer através do riso.
O humor inteligente de Nestor
Tangerini, oxigena nossas mentes para suportar o dia a dia, perante este
compromisso tão árduo que é viver entre seres humanos sórdidos, perversos, e com um vírus de volúpia assassina.
O gado festivo afirma que a Terra é plana,
mas eu fico com a definição do poeta: ela é “um grande abacaxi”.
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