AUSCHWITZ
AUSCHWITZ
AINDA NÃO É AQUI
Nelson
Marzullo Tangerini
Ao ler o
livro “A bibliotecária de Auschwitz – um romance baseado numa história real”,
do escritor espanhol Antonio G. Iturbe, Ed. Harper Collins, Rio de Janeiro, 2021,
sou obrigado a meditar diante dessas tristes, chocantes e arrasadoras palavras
iniciais: “Em Auschwitz, a vida humana vale menos que nada; tem tão pouco valor
que já nem se fuzila ninguém, pois uma bala é mais valiosa do que um homem”.
Por
instantes, sou levado a pensar sobre o sofrido e esquecido povo do Estado do
Amazonas, onde muitos seres humanos morreram por causa da atitude negligente,
nefasta e genocida do Governo daquele
estado e do Governo Federal, que não disponibilizaram respiradores a quem,
contaminado pelo vírus da Covid, agonizava nos hospitais. Fotografias dos
cemitérios feitos às pressas para os mortos da hora foram publicados em todos
os jornais, em todas as revistas; foram mostradas em todos os telejornais. E,
ainda assim, caiu no esquecimento. Falta-nos sensibilidade? Falta-nos memória?
Não,
Auschwitz ainda não é aqui. Mas estivemos diante de algo parecido com os campos
de extermínio da Polônia. E o que nos deixa deveras indignados diante desta
macabra história é o fato de que grande parte do povo do Amazonas, hoje com
seus rios contaminados de mercúrio, fruto do garimpo ilegal, e suas florestas
devastadas por madeireiros insensíveis, diante dos olhos fechados do desgovern
Bolsonaro, ainda lhe dê um grande número de votos. Os judeus que perderam seus
entes queridos, certamente, não elegeriam quem os dizimou. Não têm vocação para
suicidas.
Enfim,
vivemos num país onde as pessoas esquecem facilmente de tragédias recentes ou
de um passado recente, como foi o caso da ditadura militar que prendeu
opositores, torturo-os, com requintes de crueldade, e os fuzilou.
Quando uma alcateia de fanáticos
fascistas - insanos e ensandecidos - idolatra um torturador como Ustra, podemos
perceber que vivemos cercados de psicopatas, o que é muito grave, porque
estamos próximos de ser dirigidos por um novo Mussolini ou um novo Hitler. Isto,
se não quisermos pôr na crônica os nomes de Franco, Salazar, Videla, Pinochet,
Médici, entre tantos outros assassinos. Peço desculpas aos lobos e aos
ecologistas pela metáfora inadequada, até porque sou admirador de todos os
caninos. E agora de felinos. Meu totó, Baruch Spinoza, por certo, amarraria a
cara para mim.
Umberto
Eco estava certo quando declarou que as redes sociais deu voz aos imbecis.
Porque os fascistas, bem representados pelos psicopatas de plantão, desprezaram
os livros – de Filosofia ou de História, para sermos mais exatos -, e a
imprensa. Essa gente imbecializada se alimenta de fakenews ou das “verdades
eternas” dos pastores da igreja, que insultam quem raciocina e pedem votos a
fascistas e milicianos e – ainda - pedem, escancaradamente, que as ovelhinhas
façam um jejum de notícias a respeito do capitão.
Cristãos
apoiando fascistas não é novidade alguma: a “Santa Madre Igreja Católica”, “proprietária”
da religião e da ideologia cristãs, no passado, apoiou-os aberta e massivamente
na Itália, em Portugal e na Espanha – com o mesmo slogam: “Defendendo a pátria,
a moral, os bons costumes e a família”. Que pátria defendem aqui? Que família
defendem aqui? No Brasil, defendem, talvez, os 51 imóveis comprados com
dinheiro vivo pela família do presidente, a mansão de 6 milhões do filho do
presidente, em Brasília, e suas rachadinhas, entre outras falcatruas, protegidas
pelos amigos fieis do “imbrochável“ chamado de mito pelo gado acéfalo.
Explicar
tanta imbecilidade nos daria páginas e páginas em uma tese de mestrado ou
doutorado em Psicologia. Ou psiquiatria.
Com
uma gravação precária e risível, o “Gabinete do ódio” tenta nos convencer de
que traficantes de um morro da cidade do Rio de Janeiro, hoje viveiro – ou
criadouro – de milicianos, estaria comprando eleitores para votarem em Lula.
A que ponto chegou o Brasil! Tornou-se um
paraíso ecológico dos fascistas, dos milicianos, dos falsos cristãos, dos
defensores das armas.
O
humilde escritor que vos escreve, beirando os 70 anos, ainda é a favor da
liberdade, dos livros e da educação libertária. A voz iluminada (sinestesia) do
saudoso Maluco Beleza vem alertar-me aos ouvidos: “Quando acabar, o maluco sou
eu”.
Toda esta
insustentável situação me embrulhou o estômago. Literalmente, vou chamar o
Raul.
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