FAMÍLIA SCHOCAIR
O LEGADO
CULTURAL DA FAMÍLIA SCHOCAIR
Nelson
Marzullo Tangerini
Estive com o
professor e escritor Nelson Maia
Schocair no dia 10 de novembro [de 2017], quando conversamos sobre a ALB
[Academia de Letras do Brasil], da qual fazemos parte e lembramos de quando
escrevíamos canções juntos [com Osvaldo Martins e Roberto Costa] para a nossa
banda Lua Nova [que passou a se chamar Carta Geográfica – homenagem ao poeta
modernista mineiro Murilo Mendes] e de nossa viagem pelo Sertão Veredas das
Minas Gerais.
É claro que
nos lembramos dos grandes amigos que se foram [Gilson, Osvaldo, Roberto,
Wilson...] e dos que ainda estão por aqui [João, Solange, Adalberto, Consola...]. E isto nos remete
àquela canção do 14 Bis: “E os meus amigos, dispersos pelo mundo, a gente não
se encontra mais pra cantar aquelas canções que disparavam nossos corações...”
Almoçamos
juntos no self-service mais próximo, na Tijuca, na parte da tarde, discutimos a
publicação de um livro nosso, Espelho Retrovisor, contendo as letras que
escrevemos juntos e assistimos a dois
filmes produzidos pelo Sr. Domingos William da Fonseca Schocair, avô de Nelson.
Como a família não tem fotos do cineasta e ator William Schocair [seu nome
artístico], sugeri que Schocair pausasse certas cenas para que eu o
fotografasse ao lado do nome Schocair ou de seu avô.
Quando
escrevemos Canta rio, cantam grilos, em Petrópolis, o Sr. Nelson [pai] foi o primeiro a ouvir nossa bela canção.
Nelson foi com seu violão para a varanda. Ficou ali dedilhando as cordas de seu
instrumento. Estava na sala, quando o vi. Quando me levantei, a caminho da
varanda, ouvi o Sr. Nelson dizer para todos: “- Vão fazer mais uma
canção”. Um rio corria próximo; as
estrelas no céu pareciam vidrilhos. E a música nasceu.
Mas estou
aqui para falar do Sr. William Schocair, avô
de meu amigo Nelson, que tinha 7 anos quando o artista morreu.
William
Schocair nasceu no Rio de Janeiro em 1902. Em 1916, seu pai, Olívio Schocair,
na iminência de perder o filho para a I Guerra Mundial, registrou-o novamente
alterando o ano de seu nascimento para 1904.
Apaixonado
por cinema, William emigrou, em 1921, para os EUA e lá trabalhou em pontas de
filmes mudos. Inclusive, de Rodolfo Valentino, adquirindo experiência na
cinematografia então emergente.
Voltou para o
Brasil e filmou “Coió sem sorte” [1924], “Lei do Inquilinato [1927] e “Maluco e
mágica” [1932], primeiro filme futurista brasileiro. Nesses filmes, trabalhou
também como ator.
O Sr. Schocair
foi cofundador da Companhia Vera Cruz, a Hollywood brasileira, e veio a falir
anos depois, como tantos outros abnegados de seu tempo. Todo o seu investimento
foi gasto com cinema e, em 1969, morreu a míngua de recursos, no Rio de
Janeiro, deixando viúva D. Gioconda Provenzano Schocair, com quem teve quatro
filhos. A primeira filha morreu ainda bebê. Depois nasceram, pela ordem, Adamo,
Nelson e Nilza, a única viva.
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