LUIZ LEITÃO TAMBÉM CALCULAVA
LUIZ LEITÃO,
O HOMEM QUE CALCULAVA
Deixei para
esta crônica o soneto “Operações do amor”, de Luiz Leitão, republicado, por
Nestor Tangerini, na p. 6 da edição de dezembro de 1947 da revista O Espeto.
É um
soneto matematicamente correto, publicado no livro “Vida apertada”, do
“parisiense”, que Tangerini guardou durante toda a vida, como lembrança de seu
grande amigo do Café Paris.
Vamos, pois, ao soneto:
“OPERAÇÕES DO AMOR
Quando somos solteiros, seduzimos,
perversamente as moças enganamos,
e as tolinhas a quem amar fingimos,
são tantas, tantas, tantas, que
‘somamos’.
Quando noivos, porém, depois ficamos,
e levamos a sério o que sentimos,
as mentiras de amor, que então
pregamos,
muito instintivamente ‘diminuímos’...
quando casados, com fervor gozamos
da esposa amada os dedicados mimos,
a ventura e o prazer ‘multiplicamos’.
E, quando somos pais, enfim,
sorrimos:
Numa vida feliz, que desfrutamos,
A amizade entre filhos ‘dividimos’ “.
O livro
de sonetos em questão foi publicado, como sabemos, em 1926. 12 anos antes,
portanto, da publicação de “O homem que calculava” (1938), de Malba Tahan,
pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza, professor, pedagogo, conferencista,
matemático e escritor do Modernismo brasileiro. Através de seus romances
infanto-juvenis, foi um dos maiores divulgadores da matemática.
Malba
Tahan nasceu no Rio de Janeiro, DF, a 6 de maio de 1895. Faleceu a 18 de junho
de 1974, em Recife, Pernambuco, onde foi membro da Academia Pernambucana de
Letras.
Como se
vê, o poeta niteroiense já estava envolvido, em pensamentos, com as 4 operações
da Matemática.
Relembrando mais uma vez: a última parceria da dupla Nestor Tangerini -
Luiz Leitão foi a peça “Tudo pelo Brasil”, encenada, em 1933, no Teatro João
Caetano. Sucesso absoluto, a peça foi destaque em vários jornais do antigo
Distrito Federal, a Cidade do Rio de Janeiro.
Trocar
passes com o amigo, em 1947, teria sido uma nova forma de parceria literária?
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