POETA MAZZINI RUBANO
MAZZINI RUBANO
Nelson Marzullo Tangerini
No dia 1o. de
maio de 1928, o jornalista e poeta niteroiense Mazzini Rubano lançava seu
“poemeto” cômico A costela que me falta, composto nas Oficinas Gráficas
da Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro, em Niterói.
Dedicado “À memória de
Olavo Bastos, Jones Olivieri, Narciso Siqueira e Mário Neves”, A costela que
me falta, que tinha ilustrações de Jefferson, anunciava, na orelha do
livro, as próximas obras do autor, “Algazarra de chamas” e “Sapatinho Chinês”,
que, provavelmente, devem estar perdidas para sempre.
Membro da Roda Literária
do Café Paris, liderada pelos sonetistas satíricos Lili Leitão e Nestor
Tangerini, Mazzini Rubano, nascido em Niterói, por volta de 1910 – era o mais
jovem dos “parisienses” - , deixou alguns trabalhos publicados em jornais e
revistas de sua cidade, como o magnífico soneto “A mulher e o pecado”,
publicado, em 1928, no álbum do Cine-Teatro Éden, propriedade do também poeta
Oscar Mangeon.
Eis o soneto:
A MULHER E O PECADO
A mulher e o pecado – a
razão soberana
Do morrer e nascer, de
subida em subida,
Na triunfal ascensão
dessa escalada insana,
Pelo Tabor da morte, à
Terra Prometida.
A mulher e o pecado. A
existência profana
Fez Magdala chorar, e
ficou redimida!
Paira, acima do sol da
inteligência humana,
O Evangelho do amor,
que é a gênese da vida!
Ah! Se toda mulher, que
a si própria se encanta,
Com a glória de ser
mãe, que o ventre seu encerra,
Só depois de pecar é
que se torna santa,
Cem mil vezes bendito o
infernal fogaréu
Do pecado, a inflamar o
lodaçal da terra...
Satanás trabalhando ao
serviço do céu!
Segundo o escritor e
jornalista niteroiense Emmanuel de Macedo Soares, autor de muitos artigos sobre
o legendário Café Paris e do livro Cronologia Niteroiense, vol. 28, pág
161, “Em 1930” Mazzini Rubano “deixou a redação de A Cidade e retirou-se para
Belo Horizonte, acometido de um câncer que o conduziu à depressão e ao
suicídio”, “em 9 de setembro de 1936”,
O jovem Mazzini, diz Macedo
Soares, “colaborou em quase todos os jornais niteroienses, onde ficou dispersa
toda a sua produção literária”.
O “parisiense” Nestor
Tangerini, amigo de Mazzini Rubano, dizia para nós, em casa, que o soneto “A
mulher e o pecado”, o preferido do piracicabano, deveria dar ao poeta
niteroiense a chance de pertencer a uma Academia de Letras.
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