THE BEATLES
QUANDO EU
FIZER 64 ANOS
Nelson
Marzullo Tangerini
Um amigo
fez 64 anos. John Lennon e George Harrison não chegaram aos 64. John foi
assassinado em 1980, aos 40 anos; George, o caçula dos quatro, fumante
inveterado, foi derrotado em 2001, aos 58 anos, pelo câncer. Paul McCartney e
Richard Starkey [Ringo Starr] ultrapassaram a marca da canção, composta por
Paul, e continuam na estrada, alimentando nossos sonhos.
Quando
escutávamos esta fatídica música, - que pretensão! - pensávamos que fazer 64
anos era um coisa distante, quando perderíamos os cabelos e estaríamos rodeados de esposa, filhos e
netos. Era apenas uma vaga e longínqua ideia, nada mais.
Foi uma
festa Beatle, a nossa, com direito a canções dos rapazes de Liverpool e de
outros velhacos dos anos 1960.
Olhávamos
uns para os outros e nos divertíamos diante do que somos hoje e do que fomos:
jovens roqueiros que pensavam que mudariam o mundo com apenas dois dedos
indicando paz e amor.
Caminho
para os 60. Ainda pago passagem nos ônibus. Mas fico imaginando como serei aos
64, ouvindo Beatles e aquela turminha dos “Anos 60”. Provavelmente, Paul e
Ringo ainda estarão por aqui, de bengalinha, talvez com mais de 80 anos.
Estarão cantando, ainda? Esperamos que sim. Esperamos que não apareça outro
louco varrido para apertar o gatilho e apagar o que restou de um sonho, digo,
dos Beatles.
A
felicidade, temos certeza, não é uma arma fumegante.
...
Crônica escrita em 2020.
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