À BEIRA DO CAMAQUÃ
À BEIRA DO
CAMAQUÃ
Nestor Tambourindeguy
Tangerini (*)
Passou-se isto numa cidade do
Rio Grande do Sul.
Joaquim Gonçalves Pereira,
proprietário de grande estância, folgando com a visita de um seu amigo carioca,
o Valdemar, fez matar um boi e promoveu uma valente churrascada, da qual
participaram quase todas as pessoas da redondeza.
Depois do churrasco, que, como
por encanto, desapareceu na máquina dos maxilares gaúchos, serviu-se o
infalível chimarrão, e, nada mais havendo a devorar, levantaram-se
espalhando-se, num passeio de digestão àquela porção de carne, de que só tinham
deixado os ossos.
Joaquim Gonçalves Pereira, sua
esposa, sua sogra e o Valdemar foram até ao famoso Camaquã.
À beira do perigoso arroio, pôs-se o Valdemar
a contar as suas vantagens aqui no Rio. Em dado momento, num excesso de
entusiasmo, falseou o pé e, agarrando-se
à sogra do amigo, quase vai, com Dona Perpétua, ver de perto as águas do
Camaquã, que os levaria na certa.
Porque o Valdemar por pouco não
lhe tirava a vida da sogra, Gonçalves Pereira, segurando-o pelo braço,
disse-lhe ao ouvido, baixinho:
- Obrigado pela intenção.
(*)
Crônica publicada na revista O Espeto, pág. 7,
Rio
de Janeiro, 15 de abril de 1947,
Com
o pseudônimo JOÃO DA PONTE.
...
,Nestor
Tangerini era pai de Nelson Marzullo Tangerini.
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