FASCISMO NUNCA MAIS!
A REPRODUÇÃO DAS GALINHAS VERDES
Nelson Marzullo Tangerini
Antes do
tempo previsto, uma tresloucada ex-ministra – e agora senadora -, declarou –
notícia do jornal O tempo, de Belo Horizonte, MG -, que era simpática ao
integralismo. “Antes do tempo” é um eufemismo de nossa parte, uma vez que o desgoverno,
muitas vezes, demonstrou sua simpatia pelo integralismo. A começar pelas
motociatas, antes usadas por Benito Mussolini.
Fiz essa
observação num grupo de amigos e um deles, bolsonarista, saiu em defesa do
presidente, dizendo que não tinha nada a ver, que o capitão tem todo direito de
gostar de moto. Apenas respondi que o Duce também gostava de moto. Enfim, deve
ser alguma coincidência. E todos riram.
Depois
que a Senadora entregou o candidato a déspota, como essa declaração, temos mais
liberdade para enveredar nas comparações. Porque não há mais sentido jogar
metáforas aos porcos. Porcos? Enfim, acabei me lembrando, neste momento, do
livro “Animal Farm”, de George Orwell. Desculpem-me pela metáfora.
Plínio
Salgado, um fã ardoroso do Duce – inclusive, esteve com ele na Itália, segundo
Pedro Dória – dizia que “O integralista é o soldado de Deus e da Pátria, o
homem novo do Brasil, que vai construir uma grande nação”. Novo? Já ouvi essa
palavra em algum lugar. Enfim, é um caso a pensar se esse “Novo” é realmente
novo ou é velhaco.
Frases
fascistas não desmancham no ar. Elas são pesadas, duras, arrogantes, frias. Muitas
vezes violentas. E circulam livres, impunemente, sem que o povo inculto perceba
o teor dessas declarações absurdas e abjetas. Palavras que se renascem no
galinheiro, “Gabinete do Ódio”, onde as galinhas verdes se reproduzem. Uma
frase fascista, publicada no “Jornal do Povo”, vem bem a calhar: “Um
integralista não corre: voa”. Felizmente, as galinhas não voam muito alto, e é
possível caçá-las.
“Pelo
bem do Brasil”, “O Brasil precisa de você”, “Um povo armado jamais será
subjugado”, por exemplo, são frases notoriamente integralistas que voltam a
ventilar em nossos ouvidos, nas vozes de pessoas cultas – ou incultas –, ou em algumas rádios
comprometidas com o autoritarismo e em fakenews.
Dando uma guinada para o nazismo, outra pérola
passou despercebida, como o plágio de “Deutschland über alles”, que significa,
em português: “Alemanha acima de tudo”. Ou sustentando a tese de “curar o
lulismo com trabalho”. Em Campos de concentração?
O jornal
“Brasil de Fato” noticiou, em 17 de outubro de 2018, que “Em entrevista à
jornalista Mariana Godoy, em julho, Bolsonaro defendeu a militarização do
ensino, citando exemplo de colégios militares, onde as crianças são ‘revistadas
periodicamente, cantam o hino nacional e têm aula de educação moral e cívica’.
O candidato também defendeu os governos militares da ditadura, dizendo que
“aquela foi uma época maravilhosa”.
Sabemos,
porém, que muitos daqueles que engrossaram o coro para que o golpe, chamado
pelos fascistas de “Revolução Redentora”, fosse vitorioso, em 1964, eram
remanescentes do movimento integralista que vicejou em 1930 – em frangalhos,
mas ainda cacarejando e dando seus palpites infelizes. A ascensão do
nazi-fascismo, por essa via, criou, aqui, na Era Vargas, um clima favorável
para o estabelecimento de um regime totalitário. Mas as galinhas velhas, remanescentes
daquele nefasto movimento, voltariam e dariam uma significante contribuição para
a ditadura que veio depois.
É bom
lembrar, ainda, que os fascistas eram bons cristãos, sempre defendendo a moral,
a pátria e os bons costumes. Assim como os mafiosos, que, depois de matarem
seus desafetos, seus concorrentes, jornalistas, comunistas, socialistas e
anarquistas, iam rezar nas igrejas da Sicília, da Calábria ou de Nápoles,
quando posavam de homens de família e tementes a Deus.
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