ISTAMBUL
QUE MAGIA
TEM ISTAMBUL?
Nelson
Marzullo Tangerini
Bizâncio, Constantinopla,
Istambul. A cidade que mudou três vezes de nome e de donos, alimentou de sonhos
e de histórias o escritor Ferit Orhan Pamuk, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura
de 2006, também professor de Literatura da Universidade de Colúmbia.
Bizâncio, ex capital do Império
Bizantino, foi fundada por colonos gregos da cidade de Mégara, em 658 a. c.. A
cidade, que recebeu este nome em homenagem ao Rei grego Biza ou Bizonte e foi e
capital do Império Romano do Oriente, quando passou a se chamar Constantinopla,
sempre alimentou meus sonhos, também, com suas histórias.
Orhan Pamuk, como é conhecido,
em seu livro Istambul, o primeiro do autor que li de uma só tacada, descreve
sobre a cidade em que nasceu, onde passou sua infância e sua adolescência, sua
família, seus amigos, os artistas e sobre a vida diária divida entre dois
continentes, entre Europa e Ásia.
Sabendo de minha paixão pela
cidade, Verônica Marzullo de Brito, minha esposa, poeta, me lembra de uma trova
de nosso inesquecível amigo e poeta Fernando Tanajura, que nos deixou não faz
muito tempo.
Em poucas palavras, porque a
trova deve condensar todo o pensamento, Tanajura assim descreve a antiga
Constantinopla e as águas azuis do Bósforo:
“Quero
sonhar outra vez
Num mundo
todo azul, de magia;
Hoje,
amanhã, outro mês,
Turquia
eterna poesia”.
Que magia tem Istambul? Certa vez,
ela me apareceu em sonho. Era perfeita, muito real. Era noite. Via a Europa e a
Ásia. A lua pairava sobre a cidade e o Bósforo. E escrevi, então, meio
sonâmbulo, o poema que ora publico:
“LUA E
ESTRELA SOBRE ISTAMBUL.
A lua ainda
brilha sobre Istambul.
Banha de
prata toda a cidade
e toda a sua
gente.
Banha de
prata Mesquitas
e
residências,
em
consonância bizantina.
Casas
iluminadas à luz elétrica,
à luz de
vela,
à Luz do
Corão.
Olhando o
Bósforo,
tremulo uma
bandeira:
Lua e
estrela,
lua e
estrela sobre Istambul”.
Mais tarde, resolvi enviar o
poema para a Embaixada da Turquia, em Brasília, que, muito educadamente, me
presenteou com uma tradução de Aylin Tarlan, para meu humilde poema para o
Turco:
“ISTANBUL´UN
UZERINAKÍ AY
Ístambul´un üzerínde hala parliyor ay,
bütün şeherí
gümüs banyosu kaplamiş,
ve bütün
ínsanlari,
camílerí,
koskerí gümüs banyosu kaplamiş.
evler uyun
íçinde
elektrik
isigí, mum, Kuran işigiyla aydinlanyor.
Bogaza
bakarken,
bayrak
dalgalaniyor
ay ve yildiz
Ístambulu
üzerindakyí ay ve yildiz”.
Por muito tempo,Istambul, a antiga Bizâncio, invadida por Maomé II, no
dia 29 de maio de 1453, alimentará os sonhos de escritores, poetas, cantores e
pintores, por sua versatilidade em viver entre dois continentes.
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