NAPOLEÃO & CIA ILIMITADA

 

NAPOLEÃO, MUSSOLINI E JAIR BACAMARTE

 

Nelson Marzullo Tangerini

 

               Convidado por Rosani Abu Adal, poeta e minha amiga, amizade que nasceu quando fiz, certa vez, uma noite de autógrafo do meu livro “Nestor Tangerini e o Café Paris” na SEDE UBE, União Brasileira de Escritores, em São Paulo, passei a escrever crônicas para o jornal Linguagem Viva, de Piracicaba, SP.

               Na página 3 deste periódico literário, edição de agosto de 2021, encontro a interessante crônica de Fernando Jorge, “Os loucos napoleônicos e um livro sobre Napoleão”, da qual retiro as primeiras linhas para analisar, depois, a situação política do Brasil, desde 2019, quando um tresloucado presidente, eleito sob o auxilio luxuoso das fakenews, assume o leme deste navio fantasma que navega em águas mussolínicas.

               “Uma freira foi visitar um hospício, a fim de prestar ajuda aos loucos e, após entrar no hospício, um homem com ar de funcionário lhe disse, apontando outro homem a pouca distância:

               - A senhora está vendo aquele sujeito ali, com botas, chapéu alto e mão na barriga?

               - Sim, estou vendo – respondeu a freira.

               - Pois olhe – continuou o homem -, ele pensa que é Napoleão.

               - É mesmo?

               - É, pensa, mas é apenas um louco, pois o Napoleão sou eu!”

               Quando o mandatário da grande Casa Verde apareceu, imponente, e sem máscara, montado num cavalo, tocando o seu gado,  a primeira imagem que me veio à mente foi a triunfal entrada de Benito Mussolini em Roma.

               E quando o presidente participa de motociatas, novamente sem máscara, por este imenso país, faço, novamente, uma analogia entre ele e il Duce.

               Mais recentemente, o presidente declara, com seu jeito Mussolini de ser que “Só o povo armado é forte e livre”.

              Afora isso, a sua caterva já demonstrou simpatia por nazistas e supremacistas.

              Não sou psicólogo ou psiquiatra, mas, se o fosse, já estaria preparando uma tese de mestrado ou doutorado sobre a idolatria em torno do candidato a ditador, aclamado pelos desequilibrados como “mito”.

               O que leva as pessoas a idolatrarem Mussolini, Hitler, Salazar , Franco e os militares sul-americanos que comandaram a tortura, os assassinatos e sequestraram crianças durante os anos de chumbo?

               A história, desprezada pelos piores ditadores, nos ensina que não devemos cometer os mesmos erros do passado.

               Mas a evolução humana é lenta. Em alguns momentos parece parar como um carro atolado na lama que o cerca.

               O comandante do hospício acabará, por certo, atrás das grades. É o espírito do mestre Joaquim Maria Machado de Assis que vem sussurrar esta esperança em meus ouvidos.

               Por enquanto, os prisioneiros da Casa Verde ainda não se manifestaram, o que vai nos fazer adiar, para 2022, o sonho de derrubar as paredes do manicômio e ganhar a rua.

    

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