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O ETERNO MACHADO DE ASSIS

  A PERENDADE DE MACHADO DE ASSIS   Nelson Marzullo Tangerini                  Em 1870, Machado de Assis, ainda romântico – e poeta -, lançava seu livro “Falenas”, onde encontraremos o poema, “Quando ela fala”, que ora publicamos: . “’She speaks! O speak again, bright angel!’ Shakespeare . Quando ela fala, parece Que a voz da brisa se cala, Talvez um anjo emudece                       Quando ela fala. . Meu coração dolorido As suas mágoas exala. E volta ao gozo perdido                        Quando ela fala. . Pudesse eu eternamente, Ao lado dela, escutá-la, Ouvir sua alma inocente            ...

MAIORIA FALANTE

  MAIORIA FALANTE   Nelson Marzullo Tangerini                  Em abril de 1988, enviei uma carta ao jornal Maioria Falante, tribuna legítima do valoroso Movimento Negro.                Já nem me lembrava da existência desta carta, que foi encontrada, por acaso, pelo escritor Tom Farias, meu amigo, quando ele pesquisava outro assunto.                O que fazia eu ali? Protestava contra a exibição de corpos femininos num momento em que a desgastada ditadura apodrecia e ensaiávamos uma frágil democracia.                Publicada na página 2, a carta mostra como pensava o escritor que vos escreve naquele momento em que a luta contra o racismo e pela emancipação da mulher renovava suas ...

RAUL SEIXAS

  LEMBRANDO-ME DE RAUL SEIXAS   Nelson Marzullo Tangerini                  Quando soube da morte de Raul dos Santos Seixas, senti que, dali para adiante, muita mediocridade tomaria nossas rádios de assalto, ainda que a resistência tentasse quebrar este muro que, enfim, se partiu, para eles, e invadiu a nossa praia.                  Sentei-me à mesa e escrevi um texto sobre Raul, texto que enviaria, posteriormente, para os jornais do Rio. O Dia a publicou e eu fiz o meu registro: porque o conheci , num momento em que ele era um mero espectador de um show de Ney Matogrosso. Dinah, minha mãe,   que   estava presente no show, por ser fã de Ney, ficou fascinada com a presença do astro. Ela era igualmente   fã de Raul e também foi falar com ele.           ...

HISTÓRIA

A HISTÓRIA NADA NOS ENSINARÁ?   Nelson Marzullo Tangerini                 É possível que a História não nos ensine mais nada. Penso assim porque estamos diante do crescimento assustador do neofascismo que já grassa pela Europa e Américas.                  O que leva os jovens, que podem ter bons   livros de História em suas mãos, a terem uma atração fatal pelo autoritarismo de extrema direita? Paralelo a isto, são alimentados por uma série da fakenews que tentam desconstruir o conhecimento científico: a Biologia, a Filosofia, a Sociologia, a Antropologia e a História.                Todos aqueles que pensam diferente e se opõem ao nazismo, ao fascismo, ao etnocentrismo são considerados comunistas. E, portanto, devem ser combatidos.    ...

AMIGO INFIEL

  AMIGO INFIEL   Nelson Marzullo Tangerini                  Por volta de 1956, quando eu começava a dar meus primeiros passos sobre os dois pés, apareceu, em minha casa, em Piedade, um cidadão chamado Evilásio Marçal.                Ator menor no teatro brasileiro, ele queria que meu pai, Nestor Tangerini, lhe desse um monólogo novo, inédito, para ele apresentá-lo em palcos de São Paulo.                Tangerini lhe disse que não tinha nada de inédito, embora mantivesse na gaveta o monólogo “O buraco”, ainda sem registro.                Evilásio insistiu para que o autor em questão raspasse o fundo da gaveta para saber se, ali, havia algum texto rascunhado, ainda não alinhavado. ...

LIMA BARRETO

  O SUBÚRBIO E LIMA BARRETO   Nelson Marzullo Tangerini.                                                                                            Em “Clara dos Anos”, Lima Barreto escreveu que “O subúrbio é um refúgio dos infelizes. Os que perderam o emprego, as fortunas, os que faliram nos negócios, enfim, todos os que perderam a sua situação vão-se aninhar ali”.                Affonso Henriques Lima Barreto nasceu a 13 de maio de 1881, passou a infância e a ...

WASHINGTON LUÍS

  WASHINGTON LUIZ   Nelson Marzullo Tangerini                       No início de 2008, um aluno meu, Washington Luiz Loureiro de Morais, do Colégio Estadual Antônio Houaiss, na Boca do Mato, subúrbio do Rio de Janeiro, me surpreendeu, presenteando-me com inúmeros cartões com caricaturas de diversas personalidades, contendo neles breves biografias.                     Provavelmente, esses cartões foram encontrados nalgum sebo do Rio. Ignoro, portanto, quem teria publicado esta preciosidade.                       Gostaria até que algum leitor – ou colecionador – me corrigisse e me dissesse quem desenhou os tais cartões e quem escreveu essas rápidas e interessantes biografias. ...

NESTOR TANGERINI NO TEATRO ZAQUIA JORGE

  ESTÁ SOBRANDO MULHER   Nelson Marzullo Tangerini                       O Teatro de Revista Madureira [ou Zaquia Jorge], localizado nesse bairro, próximo a estação de trens, conquistou destaque na história do teatro carioca e brasileiro, por se tratar de uma casa que atraía um bom público suburbano, tão carente de espetáculos.                       Zaquia Jorge, que nasceu a 6 de janeiro de 1924, no Rio de Janeiro,   e faleceu na mesma cidade a 22 de abril de 1957, com 33 anos, foi uma vedete e atriz do teatro de revista brasileiro. Conhecida como a “Estrela do subúrbio” ou a “Vedete de Madureira”,   Zaquia tornou-se, no final de 1950,   proprietária do único teatro de rebolado do subúrbio carioca, o Teatro de Revista Madureira.      ...

VENUS DE MILLUS

  PALAVRAS DA PROFESSORA ROSA   Nelson Marzullo Tangerini                  A professora Rosa Maria dos Santos era namorada de meu amigo Carlos Gilberto Pessoa da Silva, mais conhecido no meio literário da época como Gilberto Pessoa, ao ler meu livro “Venus de Millus”, em estado bruto, achou que eu devia mostrar meus textos à sua Rosa, professora de Língua Portuguesa e Literatura.                Naquele momento, começava a fazer faculdade de Português/Literatura, na esperança de me aprofundar no estudo da língua e, quem sabe, ser um futuro crítico literário, atividade policial da qual desisti.                Gilberto, amigo da Faculdade de Comunicação-Jornalismo (FACHA) e de boemia, escrevemos uma centena de poesias nos bares da Lapa ou de Botafogo para a...

PENSO, LOGO, NÃO EXISTO

  PENSO, LOGO, NÃO EXISTO   Nelson Marzullo Tangerini                  Penso, logo, não existo. Contrario o filósofo francês, Descartes, uma vez que estou no Brasil, onde o pior da música é top e o melhor é soterrado pela mediocridade.                Não quero entrar em atrito com ninguém, mas sou aquele adolescente que ouviu Bossa Nova, a Jovem Guarda, a Tropicália e o Clube da Esquina.                Daí a minha paixão pela música de Caymmi, Tom, Vinícius, João, Roberto & Erasmo,   Caetano, Gil, Gal, Bethânia, Os Mutantes, Tayguara, Gonzaguinha e Milton Nascimento.                A “Janela Lateral” se abria para um novo mundo, quando ouvi Milton Nascimento &   Som...

AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA

  A ROSA DE IROXIMA E O CÉSIO 137   Nelson Marzullo Tangerini                    Em 1980, muitas coisas abalaram o alicerce literário: uma delas, o brutal assassinato de John Lennon (pela CIA?0, que me levou a escrever dois poemas para o ex-Beatle.                A sensação de que o sonho tinha realmente acabado pairou na atmosfera do Planeta.                Mais adiante, o descaso das autoridades me levaram a escrever um poema para o Césio 137 a uma namorada fictícia. E sair em defesa de Affonso Romano de Sant´Anna, que publicara, no saudoso Jornal do Brasil, um poema sobre o mesmo tema.:   “POEMA                  Quero elogiar, tardiamente, o grande poeta Aff...

ESCRITOR TARCÍSIO TUPINAMBÁ

  O PREFÁCIO DE UM LIVRO JAMAIS PUBLICADO   Nelson Marzullo Tangerini                  Mexendo em papeis velhos, eis que encontro um livro meu, “Venus de Millus”, perdido, com prefácio do saudoso escritor Tarcísio Tupinambá, amigo dos tempos em que fui membro do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro. Ali, convivi, também, com o escritor José Louzeiro.                A ditadura agonizava, mas os reaças continuavam em ação, jogando bombas ou enviando cartas-bombas aqui e ali.                Mas vamos ao referido prefácio para um ingênuo e sonhador poeta que procurava se firmar na tão disputada literatura brasileira:   “TRANSCENDÊNCIA DO AMOR E DA BELEZA                ...